As flores da pele

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Foto Lucas Hirai

Vocês já devem ter visto algumas fotos dos lambe-lambes que eu e o Lucas Hirai colocamos por aí nas ruas de SP, né? Saiu até uma matéria linda no Follow The Colours e tudo mais! Hoje vim contar pra vocês um pouquinho de como esse trabalho surgiu.

No ano passado, fizemos um encontro lindo com 10 mulheres. A intenção do encontro era produzir um ensaio fotográfico para uma exposição no Festival Órbita. Esse festival acontece 3 vezes por ano lá na Casa das Caldeiras, em São Paulo. Nele, se apresentam DJ`s, bandas, tem feirinha de roupas, zines, artesanato, leitura de tarot, massagens, etc. É um festival super completo e o tema sempre gira em torno do místico, do universo. Sendo assim, o projeto Universo Lactante, de Lucas Hirai, Gabriela Ubaldo e Andrea Soriano foi exposto em uma das edições.

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Projeto Universo Lactante
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Projeto Universo Lactante

O que aconteceu foi que… o encontro para o festival foi tão especial, tão único, que começamos a marcar mais encontros, de forma despretensiosa, pra mulherada se encontrar, falar de assuntos em comum e curtir. As conversas sempre esbarravam em assuntos voltados ao feminino, ativismo e o poder da mulher no mundo e na arte contemporânea. Todas as mulheres envolvidas trabalham direta ou indiretamente com essas questões. Assim, surgiu o projeto #asfloresdapele e a relação de cada uma com ele foi muito importante e autêntica.

A intervenção une ambas as linguagens (fotografia e crochê) e traz para as ruas um ensaio com essas 8 (no dia foram 8 amigas!) mulheres incríveis. O Lucas fez as fotos e, no formato de “lambe-lambe” com a aplicação de flores de crochê feitas por mim, essas imagens foram espalhadas pelas ruas de São Paulo. Oito corpos, formas, texturas e cores que se entrelaçam. Tentei pensar na personalidade de cada uma ao criar as flores para as imagens. Esse projeto revela de forma crua e com ternura as expressões de liberdade feminina e seu poder criativo.

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Foto Nick Gomes

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Foto Nick Gomes

O nome do projeto é uma referência a expressão “à flor da pele”, que nesse caso, representa um sentimento latente, presente nas mulheres. Todas tem algo a manifestar. No projeto, o próprio corpo foi utilizado como expressão, quando na maioria das vezes, ele é visto de forma erotizada e não natural. As fotos colocadas na cidade de forma direta, dão luz para que esses sentimentos brotem e se expressem de forma orgânica. Esse foi um dos pontos principais que percebemos, especialmente no final dos encontros: todas se sentiam mais livres e empoderadas, menos podadas, menos censuradas.

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Na Praça Roosevelt
Processed with VSCO with kk1 preset
Em Pinheiros
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No Terminal Bandeira
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Na Praça Roosevelt
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Na Galeria 540
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Na Avenida Angélica
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Atrás do Sesc Pompéia

O corpo incomoda, o nú incomoda, intriga. Isso tornou-se mais nítido ainda quando percebemos a interação das pessoas com as instalações. Na sequência das colagens, muitas pessoas que passaram por elas, fotografaram e colocaram a hashtag #asfloresdapele. Vimos diversas fotos lindas, mas também vimos o incômodo das pessoas com as imagens. Muitas delas foram rasgadas, ou nos seios, ou as flores foram tiradas para se ver o que havia embaixo… É de certa forma triste e ao mesmo tempo tão rico ver essas respostas nas ruas: o quanto a nudez, a naturalidade e, especialmente a mulher incomoda. A rua fala com a gente.

#asfloresdapele, acima de tudo, fala de liberdade, de naturalidade e respeito. Fala de olhar para si e para o outro com o olhar despido de julgamentos e pré-conceitos. Fala de diferenças, de aceitação, de quebra de paradigmas e padrões impostos pela sociedade. Fala de luta, de resistência feminina. Que bom seria se todos olhássemos uns aos outros (e a nós mesmos) dessa maneira.

Esse trabalho teve uma repercussão super legal, por isso o projeto está evoluindo cada vez mais. Os próximos passos incluem lambes em tamanhos maiores espalhados pela cidade, um mini documentário e também uma exposição, que acontecerá em junho. Muito em breve posto novidades a respeito da exposição, que já esta super em andamento!

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Lucas Hirai e eu, em uma das instalações. Foto Nick Gomes

A essas mulheres maravilhosas que participaram do projeto, eu sou completamente grata, pela abertura, pela luta, pela amizade, pela participação. Sem elas esse projeto não existiria. Sororidade pura! :)

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