A cidade viva

E foi por este motivo que estive tão sumida aqui do blog por esses dias: foram mais de 10 metros, o maior trabalho que já fiz!

Pra quem não sabe, uma nova unidade do Sesc (Sesc parque Dom Pedro II) será construída ali no bairro do Brás, atrás do Mercadão Municipal de São Paulo. O espaço foi doado pela prefeitura e, enquanto a obra não começa, o pessoal do Sesc Carmo está ocupando o espaço com atividades de quarta a domingo, que envolvem shows, teatro, circo, atividades físicas, artes visuais, oficinas, etc.

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Quando fui convidada para intervir no espaço, fiquei muito empolgada e ao mesmo tempo me senti desafiada: o espaço é envolto por grades e não muros, plataforma que nunca havia trabalhado antes. Fiquei apreensiva nos dias de instalação, mas no fim deu tudo certo! :)

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A região do Brás é carente de atividades culturais. É muito importante para os moradores do bairro, que esse Sesc esteja desenvolvendo atividades ali nesse momento.

O tema para a instalação foi “Cidade Viva”. Quando visitei pela primeira vez o espaço, tentei reparar em tudo: nas construções ao redor, na ponte que passa ao lado, nos moradores e transeuntes da região, etc. Vi que, embora seja um local no centro da cidade, com muito comércio, movimento e prédios cinzas, nas ruelinhas de trás da ocupação, pode-se ver diversas casinhas coloridas.

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Percebi também, ao reparar nas pessoas que participavam das atividades, que aquele espaço que está se abrindo é de extrema importância para a região, não só pelo lado cultural que se expande, mas pela sensação de pertencimento que os moradores passarão a ter por ali e pela valorização do ambiente que moram.

Pensando nisso, optei por retratar o lugar com prédios que, de cinza, tornam-se coloridos. A partir dali, os pássaros voando representam a liberdade de ir e ficar. Escolhi também um pedacinho de um poema de Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa, chamado “Para além da Curva da estrada”:

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

Há bastante beleza em estar aqui e não noutra parte qualquer. Aqui, exatamente neste lugar e neste momento. E é exatamente isso que eu gostaria que todas as pessoas que passassem por ali e se deparassem com o Sesc e com o meu trabalho sentissem: pertencentes. Por que não tem melhor lugar de estar agora do que onde se está. :)

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Gostou? Tem mais: nos dois primeiros sábados de maio (07 e 14), estarei lá na ocupação do Sesc dando aulas de crochê pra quem quiser aprender! O horário é das 10h as 17h. Venham venham, é gratuito! Estão todos convidados! :)

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:)

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