[notas sobre o mar]

IMG_1829.JPG

penso que o crochet muito se parece com o mar,
com o mergulho, a profundidade.
enquanto corpo que afunda
e sempre precisa voltar para respirar.
o que se produz desaparece, dando forma ao novo,
como as ondas, que vem e vão sempre diferentes umas das outras.
Tudo parece mover-se sozinho.
do movimento da agulha
ao mergulho que silencia.
o momento em que se internaliza,
e o ponto molhado na imersão que reconstrói:
um novo sentimento se cria,
e o encontro acontece.

.

Ele me diz que seu gosto pela areia do mar é correspondente ao tipo de açúcar preferido:
“Sabe essa areia aqui? que parece açúcar mascavo? é a que eu mais gosto.
A que eu menos gosto é aquela mais fininha, igual açúcar refinado, que aliás eu não gosto nenhum pouco, nem da areia, nem do açúcar.”
não sei se vejo poesia em tudo o que ele fala
ou se realmente açúcar e areia formam um belo par de versos.

.

Uma vez eu quis mostrar como eu gostava dela.
Me meti a escrever poesia.
Vi que de palavras nada saia, só risos e gargalhadas.
Entendi que com ela, só podia ser assim.
Me arrisquei no fundo da minha breguisse e anotei:
“Com você eu rio… rio tanto que vira mar.”

.

Quando descobri que o mar ela temia,
não entendi a razão de estarmos ali.
Com ela eu passei por tantos mares,
mas só depois compreendi:
era o contato sutil com a maresia,
a leveza tamanha das águas,
e a força imponente das ondas
que a preenchia.

.

Não sei ao certo se essas notas falam mais sobre o amor ou sobre o mar.

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4 comentários sobre “[notas sobre o mar]

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