A primeira vez a gente nunca esquece

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Comecei a escrever neste blog com o intuito de mostrar um pouco mais do meu trabalho, expor ideias, pensamentos, inspirações e também me aproximar das pessoas que de alguma formar chegam até ele. Percebi que, mesmo virtualmente, essas relações acabam se tornando mais humanas, mais próximas, sensíveis.

No meu primeiro post, contei um pouquinho do meu processo e das minhas aspirações para o blog. Embora não houvesse muita pretensão nas palavras, ali, falei que minha intenção era ajudar à mim mesma e à quem pudesse. Não só ajudar, mas interagir, trazer reflexões, expandir. Eu só não imaginava mesmo que, em tão pouco tempo, teria respostas tão gratificantes, refletindo muito do que eu escrevo e agregando tanto para este espaço.

Quase um mês depois que comecei o blog, recebi um email com o assunto: Agradecimento. Era de Rosane (de Belo Horizonte/MG), leitora do blog que conheceu o trabalho do Dolorez Crochez através de uma matéria que saiu na revista Vida Simples há um tempinho atrás. Nesse email ela me contou um pouquinho da sua relação com o artesanato e também que se identificou com meus textos. Me enviou imagens de seus trabalhos (Rosane borda lindas poesias, de sua própria autoria e de outros autores) e também de sua mãe (a coisa mais fofa!), que faz crochê e aprende tudo assistindo tutoriais no youtube!

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Poema bordado de autoria de Rosane
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Inspirado na frase de Guimarães Rosa
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Mãe de Rosane, crochetando com o tutorial do youtube <3
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Trabalho de crochê da mãe de Rosane

Aos pouquinhos, começamos a nos corresponder: eu contando um tanto de mim, ela um pouco dela, junto com referências incríveis que sempre tem na manga pra me enviar (Às vezes tinha impressão de estar num filme, uma coisa meio Julie&Julia. haha)! E foi assim que conheci o artigo “O Tao da Teia”, de Ana Maria Machado, onde a autora fala da relação texto x têxtil x feminino, usando contos, histórias da mitologia grega, entre outros, falando com muita sutileza da relação da mulher e sua forma de expressão através do ato de tecer. Imagina se não gostei? (Num próximo post falo mais sobre isso!)

Na quinta-feira passada, chegando em casa a noite, me deparei com um pacote do Sedex na portaria. Era de Rosane. Curiosa que sou, abri correndo, enlouquecida pra descobrir logo o que era. E, vindo dela não poderia ser coisa melhor, dois livros incríveis inteirinho bordados: Ponto a ponto de Ana Maria Machado e A moça tecelã de Marina Colasanti.

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Li os dois quase de uma vez só! O que mais me chamou a atenção foi a história de A moça tecelã. Tudo que ela tecia se transformava em realidade, tecendo assim, sua própria vida. Tecia o sol, nuvens, árvores, peixes, tudo que precisasse ao seu redor. Logo, ela se sentiu sozinha e teve a ideia de tecer um marido. Assim o fez: um marido todo bonito e pomposo, do jeito que ela queria. Aos poucos, o marido percebeu tudo o que poderia ter com o dom da moça tecelã. Passou a ordenar então, que ela tecesse palácios, cavalos, carruagens, jóias e tudo o que houvesse para que fossem “felizes”. Com tantas exigências, a moça não parava de tecer um só minuto de sua vida. Logo cansou-se e entendeu como sua vida poderia ser melhor se estivesse sozinha novamente. Não pensou duas vezes e desfez todo seu tecido: desfez jardins, portas, maçanetas, palácio, cavalos e, junto, desfez seu marido.

“Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.”

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Assim termina a história da moça tecelã. Usando a coragem e as próprias mãos mudou o rumo de sua vida. Uma analogia a tantas relações conturbadas que vemos e vivenciamos. E, ao mesmo tempo, a força incrível da mulher atual, que, livre, escolhe seu caminho, tecendo os fios de sua própria história.

Rosane foi a primeira pessoa que me correspondi por causa desse blog. Em tão pouco tempo, ela já me ensinou, me inspirou e me fez entender um bocado de coisas. Se minha intenção aqui era essa troca, sensível e cheia de conhecimentos, acho que já posso ficar (muito) feliz por hora. :)
Obrigada pelo carinho. <3

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