Por que você não precisa que o ano acabe logo

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Fim de ano é assim, aquela sensação de que o tempo não passa, o ano não vira e as coisas “ruins” que aconteceram em 2015 não vão embora logo. Uma esperança de que com a virada da noite para o dia, tudo se transforme. Como se houvesse um portal, em que um cara, o 2015, te dá tchau, leva tudo o que houve de ruim embora e aparece outro, o 2016, que te fala oi, te faz mil promessas de um ano melhor e acalma o seu coração por alguns dias.

É difícil generalizar um ano como ruim ou bom, afinal, o tempo todo temos esses momentos. Me lembro de anos em que coisas péssimas aconteceram e, ao mesmo tempo, as melhores coisas da minha vida também. Como pedir que o ano acabe logo, que os dias corram… Qual a diferença de um dia para o outro?
Essa sensação de que o tempo precisa passar, de que o ano precisa virar e 2016 chegar, nada mais é do que você correndo de seus próprios questionamentos, criando para si uma desculpa disfarçada de esperança pra começar a fazer alguma coisa, pra colocar aquela ideia em prática, pra começar a dieta, pra fazer aquela viagem, pra praticar um esporte, pra finalmente pedir demissão do emprego que te fez infeliz o ano todo.
A questão aqui é que, não existe esse portal mágico invisível que vai transformar sua vida em algo extraordinário do dia 31 de dezembro de 2015 para o dia 01 de janeiro de 2016, quando na verdade, você não parou pra pensar no que realmente aconteceu nesse ano, como você reagiu a tudo, àquela notícia ruim, aquele dia em que trabalhou até tarde, o fim do seu casamento, o dia em que tomou chuva e ficou resfriado ou aquele em que “nada deu certo”. O tempo todo era você. Assim como é você que dorme e acorda em 2016, no novo ano que muito promete. Assim como foi você que dormiu e acordou no primeiro dia de 2015. Assim é você o tempo todo, esperando sempre que alguma coisa aconteça, mas temendo mudanças ou procrastinando decisões.

É você mudando o tempo inteiro, porque cada minuto que passa nós mudamos, cada segundo é um novo ano em que podemos nos permitir olhar de fato para tudo, enxergar com lucidez o que acontece ao nosso redor, entender a beleza das transformações que acontecem o tempo todo na vida.

Semana passada estive em um retiro com o Lama Padma Samten (que já postei aqui), falando justamente sobre a impermanência. Ele citou parte de uma conversa que teve com sua irmã em que ela dizia: “não entendo as pessoas que tem uma visão estável das coisas”.

As pessoas com essa visão estável que ela fala, tendem a sofrer mais, justamente por não liberarem, por não deixarem as coisas simplesmente fluirem de forma natural, por fixar coisas que deveriam ser ou não de algum jeito que ela própria determinou. Como por exemplo, pensar que uma pessoa é, de fato, daquele jeito e nunca vai mudar, ou que você nunca vai conseguir mudar de emprego, ou achar que as coisas vão melhorar (serve pra piorar também) só porque o ano vai virar.

Acho que não devemos nos prender a um ano que muda, que vira e aí então se transforma, ilusoriamente. Devemos tornar igual todos os dias em que passamos por coisas boas ou ruins e saber lidar com tudo isso de maneira ampla e consciente.

Dessa maneira, não será mais necessário precisar que o ano acabe logo. Os dias correrão leves e nossas mentes estarão mais livres, permitindo e se deixando levar, sem preocupações com as fixações que nossas mentes criam.
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