Um desserviço para o espírito

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Há 5 anos, me mudei pra São Paulo sem nem saber direito pra onde e porquê. Mas tinha aqui um emprego me esperando: editora de arte de livros didáticos. A princípio não me pareceu uma das coisas mais legais de se fazer, mas topei mesmo assim.

Mudança de cidade é aquela coisa: você se sente meio sozinho, meio perdido, meio sem amigos… meio.
O ambiente no trabalho era muito silencioso, pouquíssimas pessoas no escritório e um trabalho massante, onde eu passava a maior parte do tempo repassando erros de texto nos arquivos.
Nos momentos de ócio, eu pesquisava coisas que me interessavam na internet, tentava ler livros, estudar, ver vídeos inspiradores… Utilizava o tempo que me sobrava buscando por algo que alimentasse minha alma.
Nessa busca, descobri o projeto do filme “Thomas Tristonho“, que estava prestes a ser lançado na época. Basicamente, o filme conta a história de um garoto que transforma em tristeza tudo o que toca. Para esse lançamento, foram produzidos alguns mini documentários, onde as pessoas respondiam a pergunta: “O que é tristeza pra você?”. Foi então que conheci o Hélio Leites, um artista plástico que passou grande parte da vida (cerca de 40 anos) trabalhando dentro de um banco e só depois de aposentado, passou a trabalhar com o que ama.
O vídeo dispensa explicações:

 

Nunca mais me esqueci dessas palavras e nem da sensação que tive naquele momento. Sempre que posso, repasso esse vídeo pra alguém e aqui no blog não seria diferente.
O vídeo  me inspirou de tal maneira que senti que não podia simplesmente deixar as coisas do modo como estavam. Então, depois de um ano morando em SP e trabalhando com livros didáticos, consegui um emprego em uma editora de revistas super moderna (aparentemente). Fiquei muito feliz e lá, muitas coisas melhoraram, como por exemplo: minha vida social.
De meio sozinha, meio perdida, meio tudo, passei a ser meio feliz. Faltava ainda o que pra mim era essencial: o trabalho que eu amasse fazer. Afinal, nem só de ambiente bom se mantém uma (e nos mantém numa) empresa. Sou grata por todos os momentos que passei nesse lugar (sim, mesmo os ruins), mas muita coisa andava errado lá dentro pra mim, desde trabalhar durante madrugadas até promessas de promoções não cumpridas. Sem contar o trabalho em si. Cada dia que me sentava ali pra trabalhar, perguntava a mim mesma: o que estou fazendo aqui?
Sei que havia melhores maneiras de lidar com isso, mesmo por que, hoje acredito que podemos mudar a forma de enfrentar as situações problemáticas em que nos encontramos. Acredito também que tudo é caminho e por isso foi muito necessário e valioso passar por tudo isso. Se eu tivesse trabalhado menos, se não tivesse ficado até de madrugada ou tivesse ganhado uma promoção, eu não estaria aqui, agora, escrevendo neste blog, o ateliê Dolorez não teria nascido, etc. Todas essas coisas me fizeram pensar, questionar, refletir e especialmente, sentir. Tentar sentir o que vinha mesmo do coração e só assim, achar uma “solução”. Não digo que devamos nos acomodar e aceitar onde estamos mesmo infelizes, mas entender que aquilo pode ser parte de algo necessário naquele momento, diminuir o sofrimento. Assim, compreendi que, mesmo em momentos difíceis, é possível sim, deixar de ser “meio” e ser sempre inteiro.
Sobre minha transição do trabalho convencional para o trabalho com o ateliê conto num próximo post.
Espero que esse vídeo inspire, tanto quanto inspirou a mim. :)
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6 comentários sobre “Um desserviço para o espírito

  1. Eu trabalhei o curta do Thomas.
    Fiz em um dos momentos mais difíceis da minha mudança pra SP.
    E é de longe, a coisa mais linda que eu já fiz na minha vida profissional.

    Esse vídeo é inspirador. Eu sempre vejo também.
    Continue postando!

    <3

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